Julian Assange: Carta do cárcere

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Por Julian Assange.

Nas suas primeiras palavras liberadas ao público depois de ter retirado a força da embaixada equatoriana em Londres, no qual se encontrava em condição de asilo político desde 2012, Julian Assange, fundador e editor-chefe do WikiLeaks, fala sobre as condições repressivas que enfrenta na prisão britânica de Belmarsh e convoca uma campanha contra a ameaça da sua extradição para os Estados Unidos.

O apelo foi formulado por Assange em carta dirigida ao jornalista britânico independente Gordon Dimmack, que decidiu torná-la pública na sequência do anúncio feito quinta-feira passada pelo Ministério da Justiça dos EUA de novas acusações contra Assange com base numa antiga lei sobre espionagem.

Leia abaixo o texto completo da carta de Assange:

Obrigado, Gordon. Você é um bom homem.

Fui isolado de toda capacidade para preparar a minha defesa: nem laptop, nem internet, nunca, nem computador, nem biblioteca, até agora, mas mesmo que eu obtenha acesso [à biblioteca] será apenas por meia hora, junto com todo mundo, uma vez por semana. Apenas duas visitas por mês e leva semanas para conseguir [inserir] alguém na lista de chamada, e é uma sinuca (Catch-22) conseguir que os seus pormenores sejam examinados pela segurança. Além disso, todas as chamadas exceto com o advogado são gravadas, têm um teto de 10 minutos e só podem ser realizadas numa janela limitada de 30 minutos em cada dia, no qual todos os prisioneiros disputam o telefone. Quanto ao crédito? Apenas algumas libras por semana e ninguém pode ligar pra cá.

E do outro lado da disputa judicial? Uma superpotência que vem se preparando por nove anos com centenas de pessoas e incontáveis milhões investidos no caso. Estou indefeso e conto contigo e com outros de bom caráter para salvar minha vida.

Estou intacto, embora esteja literalmente cercado de assassinos. Mas os dias em que eu podia ler, falar e organizar para me defender, para defender meus ideais e o meu povo estão acabados até que eu esteja livre! Todos os demais devem tomar o meu lugar.

O governo dos EUA, ou melhor, aqueles elementos lamentáveis que odeiam a verdade, a liberdade e a justiça, querem trapacear a fim de obter minha extradição e morte ao invés de permitir que o público ouça a verdade, pela qual ganhei os maiores prêmios de jornalismo e pela qual fui nomeado sete vezes para o Prêmio Nobel da Paz.

A verdade, em última instância, é tudo o que temos.

J. P. A.

***

Em sua vídeo-coluna na TV Boitempo, o renomado sociólogo português Boaventura de Sousa Santos analisa as causas e as implicações da prisão de Julian Assange, e reflete sobre o caráter decisivo desse impasse para o futuro do jornalismo e da liberdade de expressão no mundo. Vale a pena conferir:

***

Julian Assange é o fundador do WikiLeaks. Tendo recebido vários prêmios como jornalista, é autor de centenas de investigações sobre corrupção, guerras e a indústria da vigilância. Antes de fundar o WikiLeaks, Assange se especializou no desenvolvimento de softwares de encriptação. Recebeu asilo político em 2012, na Embaixada do Equador em Londres, em consequência das persistentes investigações realizadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o WikiLeaks. É autor dos livros Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet (Boitempo, 2013) e Quando o Google encontrou o WikiLeaks (Boitempo, 2015).

Publicado por MarcFlav

um esquizoide da raça dos indignados, denunciando obscenidades na web.

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